Bitori Feat Chando Graciosa

30 de Junho 2018

Festival MED 2018, Loulé

Um concerto com produção e agenciamento ALG Eventos. 

Palco Matriz, 22h30.

Bitori Nha Bibinha, um dos grandes tocadores de acordeão e um ícone do funaná vai estar presente na próxima edição do Festival MED 2018 e será, certamente, um dos concertos a não perder. Com o seu segundo trabalho discográfico gravado em 2017, aos 79 anos, Biotori continua a ensinar aos interessados a arte de tocar o “acordeão”. O artista santiaguense foi, também, homenageado no ano passado com prémio carreira na gala dos CVMA, onde diz ter ficado contente por esse reconhecimento público.

De nome próprio Victor Tavares, este hoje grande interprete e compositor do funáná, tem uma longa e rica história de vida. Nascido a 10 de Março de 1935, em São Nicolau Tolentino, na altura freguesia do concelho de São Domingos, ilha de Santiago, ficou mais conhecido no meio artístico como Bitori Nha Bibinha.

Conta que para conseguir comprar o seu primeiro acordeão, teve que ir trabalhar para a roça de cacau em São Tomé e Príncipe aos 18 anos. Descreve que depois de um ano de trbalho conseguiu juntar 450 escudos, isto apesar de, na altura, um acordeão custar 750. «Mas com a ajuda do patrão, fiz um empréstimo e consegui comprá-lo. Hoje o instrumento faz parte de uma colecção privada nos EUA».

Bitori recorda, por outro lado, que para a entrada na antiga Roça Rio Douro existia uma inscrição: “Quem entra, não sai. Quem sai não entra”. Mas como não pretendia ficar lá, depois de três anos em S.Tomé regressou a Cabo Verde.

Estando na sua terra natal, passou a tocar acordeão pelos bairros de São Domingos, apesar de na altura ser proibido pelos portugueses executar e interpretar o funáná e outros ritmos tradicionais de Cabo Verde, vistos na época como ritmos selvagens. Só depois de 1975 e da Independência de Cabo Verde é que estes sons foram de novo permitidos, no entanto, sendo apenas gravados, pela primeira vez, na década de 90. 

De Chando Graciosa ao 1º CD

Entretanto, Botori de Nha Bibinha faz questão de realçar que foi importante para a sua carreira ter conhecido, mais tarde, o grande músico Chando Graciosa.“Quando conheci Chando Graciosa, fundamos o grupo Peitoral. Começamos a actuar em bares, restaurantes e festas. Com o tempo, Chando e Zé Mário (outro integrante da banda) não regressaram mais a Cabo Verde. Mas eu tive que voltar e continuar a minha vida em Cabo Verde, dando pequenos concertos pelos bairros».

Já em 1997, Bitori foi convidado por Chando Graciossa para ir à Holanda gravar o seu primeiro trabalho discográfico com o título “Bitori Nha Bibinha”. O mesmo álbum foi reeditado em 2016, com a desgindação “Legend Of Funaná? (The Forbidden Music of The Cape Verde Islands), ou seja, «A Lenda do Funaná» ( A música proibida das ilhas de Cabo Verde).

Mas a carreia desse grande tocador de acordeão da ilha de Santiago não ficou por aí. Em 2014, Miriam Brenner, a actual manager (gestor) de Bitori, conheceu Samy Ben Redjeb, que mais tarde lhe deu a conhecer o Atlantic Music EXPO (AME) e o trabalho de Bitori Nha Bibinha, dando-lhe a oportunidade de gravar o seu segundo álbum. 

Ouça o som de Bitori aqui: https://www.youtube.com/watch?v=or_XS8PkOpM e leia a entrevista realizada pelo jornal espanhol El País durante o Festival MED 2018: https://elpais.com/elpais/2018/07/19/africa_no_es_un_pais/1532035563_275740.html?id_externo_rsoc=FB_CC

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